O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concentrou a sabatina exibida pelo SBT nesta segunda-feira (19) na defesa de seu governo e no confronto com Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Entrevistado pelas jornalistas Basília Rodrigues, Marina Demori e Simone Queiroz, o petista respondeu a questionamentos sobre benefícios sociais, segurança pública e transparência financeira de sua família.
Um dos principais momentos da entrevista foi a declaração de que prepara uma autorização para permitir o acesso aos seus sigilos e aos de familiares. A iniciativa, entretanto, foi apresentada com uma condição: Flávio e sua família também precisam aceitar a abertura das informações.
“Eu e minha família estamos preparando uma procuração para entregar no TSE e na Suprema Corte”, afirmou. A declaração representa uma disposição anunciada pelo presidente, e não a confirmação de que os dados já foram abertos ou de que a autorização havia sido protocolada. O assunto envolve também seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de investigações.
Questionado sobre medidas anunciadas durante a campanha e sobre as críticas de uso eleitoral de programas sociais, Lula afirmou que a proximidade da votação não pode impedir decisões favoráveis à população. Segundo ele, algumas iniciativas deveriam ter avançado antes do primeiro turno, mas dependeram da tramitação política.
“Não vou deixar de dar um benefício que eu posso dar por causa da eleição”, declarou. O presidente também defendeu a atualização dos valores do Bolsa Família diante da inflação e sustentou que os benefícios devem continuar independentemente do resultado das urnas.
MAIORIDADE PENAL E SEGURANÇA
Na segurança pública, Lula admitiu uma mudança de posição e defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. Ao explicar a revisão de seu entendimento, afirmou: “Temos que ter a capacidade de mudar de opinião quando nós somos convencidos de que é importante”.
O presidente também defendeu as saídas temporárias como instrumento de ressocialização, associadas à avaliação do comportamento dos presos. Sobre a criação de um Ministério da Segurança Pública, vinculou a iniciativa à aprovação da proposta de emenda à Constituição da área e disse ter um nome em mente para comandar a pasta, sem revelá-lo.
ESCALA 6X1 E TRANSPORTE GRATUITO
Lula voltou a defender o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso, mas afirmou que a aplicação da mudança precisa considerar as particularidades de cada atividade. O presidente mencionou a negociação entre trabalhadores e empregadores como caminho para adaptar a jornada e preservar o funcionamento dos diferentes setores.
Outra proposta apresentada foi a gratuidade do transporte público nos fins de semana, com financiamento proveniente de emendas parlamentares. Lula reconheceu que a ideia pode provocar resistência no Congresso. A medida foi tratada como uma proposta a ser negociada, sem anúncio de início de funcionamento.
CRÍTICAS AO FORMATO DOS DEBATES
Ao comentar os confrontos eleitorais, Lula disse estar preparado para o próximo encontro na TV Globo, previsto para sexta-feira (23), mas criticou o espaço ocupado por ataques pessoais. O presidente afirmou que os debates perderam qualidade e deixaram em segundo plano a discussão sobre os problemas do País.
“Empobreceu o debate, na verdade apodreceu”, declarou. A avaliação encerrou uma entrevista em que o petista alternou a apresentação de propostas com respostas às acusações da campanha e cobranças dirigidas ao adversário.